A Suzano SA, maior produtora mundial de celulose de fibra curta, estuda vender seus produtos para a China em yuan, já que a moeda chinesa ganha importância nos mercados de commodities. Segundo Walter Schalka, CEO da Suzano, os clientes menores da China estão demandando negócios atrelados ao renminbi, e o país é o maior comprador da commodity, respondendo por 43% da celulose da Suzano. Embora o dólar americano permaneça dominante, o uso do renminbi em contratos de commodities como petróleo e níquel está se acelerando, com as sanções a Moscou após a invasão da Ucrânia contribuindo para essa tendência. Schalka acredita que o dólar terá menos relevância no futuro, embora ainda não tenha ocorrido uma “grande transição” para a moeda chinesa.
O Schalka está preocupado com o aumento das tensões entre os EUA e a China, pois isso pode prejudicar a demanda e os preços da celulose por um período prolongado. Ele acredita que a China se tornará mais relevante no mercado global, mas reconhece que as tensões estão aumentando atualmente. Em entrevista à Bloomberg, Schalka e o CFO Marcelo Bacci discutiram as perspectivas para os mercados globais de celulose, a estratégia da empresa em relação a preços mais baixos e sua postura em relação às políticas ambientais no Brasil.
Em relação aos mercados globais de celulose, Schalka observou que os preços estão atualmente abaixo do custo marginal de muitos produtores no mundo, e muitos players integrados estão reduzindo sua produção de celulose e comprando de players não integrados. No entanto, ele acredita que essa situação não é sustentável e que os preços voltarão a subir em questão de meses. Schalka e Bacci também discutiram a estratégia da empresa em resposta aos preços mais baixos, afirmando que não vão alterar seus estoques e que algumas de suas fábricas não estão gerando retorno de capital suficiente. Eles também expressaram preocupação com seus concorrentes na China, Escandinávia, Canadá e Península Ibérica, pois seus custos são mais altos do que os preços de mercado e podem ser forçados a fechar algumas de suas instalações.
Schalka é um oponente vocal do desmatamento da Amazônia no Brasil e acredita que o desmatamento ilegal zero é crítico para o mundo. Ele tem mantido contato com o governo brasileiro, que tem o discurso certo sobre políticas ambientais, mas o plano de ação não é tão rápido quanto o esperado. Em relação à emissão de títulos verdes e investimentos verdes para empresas brasileiras, Bacci observou que a Suzano emitiu vários títulos nos últimos anos, mas o prêmio recebido diminuiu devido às mudanças nas taxas de juros. Schalka expressou decepção com o mercado financeiro, já que o "greenium" está próximo de zero, dificultando que as empresas ofereçam títulos verdes com prêmio.
Finalmente, Schalka e Bacci discutiram o potencial de expansão da empresa no mercado de bens de consumo embalados (CPG) em outras regiões. No entanto, eles observaram que só considerariam investir em negócios diferenciados e escaláveis, e não veem nenhuma diferenciação em CPG fora do Brasil. No geral, a Suzano está monitorando de perto os mercados globais de celulose e as crescentes tensões entre os EUA e a China, ao mesmo tempo em que se concentra em práticas de negócios sustentáveis e responsáveis.


