Em uma reviravolta surpreendente, Roberto Mancini renunciou ao cargo de técnico da seleção italiana. A gestão de Mancini com a Itália foi uma montanha-russa, marcada por uma vitória triunfante no Campeonato Europeu em 2021, mas também prejudicada pelo fracasso da equipe em se classificar para a Copa do Mundo de 2018.
A federação italiana de futebol divulgou um breve comunicado, reconhecendo a renúncia de Mancini e informando que um novo técnico será nomeado nos próximos dias. No entanto, com as partidas de qualificação para a Euro 2024 contra a Macedônia do Norte e a Ucrânia nos dias 9 e 12 de setembro, respectivamente, a federação fica com muito pouco tempo para preencher a vaga.
Já há muita especulação sobre quem poderia substituir Mancini, com o ex-técnico da Itália Antonio Conte e Luciano Spalletti, que levou o Napoli ao título da Série A na última temporada, entre os nomes mencionados. Conte recentemente deixou o Tottenham Hotspur em março, enquanto Spalletti expressou seu desejo de tirar um ano sabático nesta temporada.
A saída de Mancini é um choque, especialmente considerando que apenas nove dias atrás, a federação havia confiado a ele a responsabilidade adicional de supervisionar as seleções sub-20 e sub-21. Mancini tinha contrato até a Copa do Mundo de 2026.
Renzo Ulivieri, presidente da associação de treinadores da Itália, expressou surpresa com a renúncia de Mancini e enfatizou a necessidade de entender as razões por trás disso antes de tirar qualquer conclusão. Ulivieri reconheceu as realizações de Mancini, mas também reconheceu a decepção com a derrota do time na classificação para a Copa do Mundo.
Mancini foi nomeado treinador em maio de 2018, com a tarefa de rejuvenescer a Azzurra após o fracasso em se classificar para a Copa do Mundo de 2018 sob o comando de Gian Piero Ventura. Durante sua gestão, Mancini trouxe um vigor renovado e um talento jovem para a equipe, conquistando admiradores em toda a Europa durante o torneio Euro 2020.
O treinador foi elogiado por suas decisões ousadas, como a convocação do então atacante da Roma, Nicolò Zaniolo, antes mesmo de sua estreia na Serie A. No entanto, Mancini enfrentou desafios para encontrar os melhores talentos da liga italiana, que às vezes hesita em contar com jogadores jovens.
A impressionante derrota por 1 a 0 no playoff para a Macedônia do Norte, 67ª colocada, em casa, no ano passado, selou o destino da Itália, que perdeu a oportunidade de participar da Copa do Mundo no Catar.
A vida pessoal de Mancini também foi marcada pela tragédia, pois ele perdeu seu amigo íntimo e ex-companheiro de equipe Gianluca Vialli, que atuou como chefe da delegação da equipe, para um câncer no pâncreas no início deste ano. Além disso, poucas semanas antes da morte de Vialli, Mancini lamentou a perda de Siniša Mihajlović, outro ex-companheiro de equipe e também técnico, que sucumbiu a uma longa batalha contra a leucemia.
O futuro é incerto para Mancini, de 58 anos, que teve uma carreira de sucesso como jogador e treinador de clubes, conquistando títulos da liga com Inter de Milão e Manchester City. A saída de Mancini deixa a federação italiana de futebol em um estado de reconstrução, já que a técnica feminina, Milena Bertolini, também renunciou após a decepção da Copa do Mundo Feminina.
A última partida de Mancini no comando foi uma vitória por 3 a 2 sobre a Holanda na partida de desempate pelo terceiro lugar da Liga das Nações da UEFA, em 18 de junho.
Enquanto a Itália trava uma batalha difícil para se classificar para o torneio Euro 2024 na Alemanha, depois de perder sua primeira eliminatória para a Inglaterra, a seleção nacional precisa de um novo líder para guiá-la nesse período desafiador.


