A União Europeia (UE) procura aumentar a sua presença e influência na região do Indo-Pacífico, estreitando laços políticos e de investimento com cerca de 20 países. Essa medida ocorre quando o bloco pretende reduzir sua dependência das importações da China e aumentar sua presença na região, apesar das crescentes ambições da China e dos EUA. O programa Global Gateway da UE, que visa desenvolver projetos de infraestrutura duradouros e de qualidade que não criem dependência, foi divulgado em um fórum recente que reuniu ministros das Relações Exteriores da UE e da região do Indo-Pacífico. A UE pretende desenvolver 20 projetos de Global Gateway no Indo-Pacífico, desde investimentos em usinas hidrelétricas e de energia solar até infraestrutura de transporte, como ferrovias, portos e aeroportos.
A dependência da UE em relação à China foi revelada durante a pandemia de Covid-19, quando países e empresas lutaram para obter máscaras e outros equipamentos. Isso levou a UE a buscar diminuir sua dependência das importações da China, inclusive de matérias-primas necessárias para a transição verde do bloco. Além disso, as tensões entre o Ocidente e a China foram intensificadas pela invasão da Ucrânia pela Rússia, com pressão crescente sobre Pequim para se distanciar de Moscou.
A UE adotou pela primeira vez uma estratégia comum no Indo-Pacífico em 2021, impulsionada pela França, que possui territórios ultramarinos na área. Paris sediou uma cúpula da UE para discutir a cooperação com a região no ano passado, pouco antes da invasão da Ucrânia pela Rússia. A França também teve recentemente um contrato submarino cancelado pela Austrália quando Canberra entrou em uma aliança de defesa com os EUA e o Reino Unido.
O chefe de relações exteriores da UE, Josep Borrell, afirmou que a UE quer "intensificar nosso compromisso para obter resultados mais concretos no terreno" e que o bloco buscará o desenvolvimento de projetos de infraestrutura no Indo Embora a ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna, não tenha mencionado a China diretamente, ela afirmou que a estratégia Global Gateway visa promover "projetos de infraestrutura duradouros e de qualidade que não coloquem os países em situação de dependência", inclusive no setor digital. Ela também observou que as fragatas francesas patrulhariam a região com mais frequência.
A UE enfatizou repetidamente o desafio que enfrenta para persuadir os parceiros a ficar do lado da Ucrânia. O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, juntou-se ao recente debate para fazer um apelo aos países do Indo-Pacífico para apoiar Kiev. No entanto, existem diferenças entre os países sobre o assunto, com a ministra das Relações Exteriores do Paquistão, Hina Rabbani Khar, afirmando que cada país aborda o assunto à sua maneira.
No geral, os esforços da UE para aumentar sua presença e influência na região do Indo-Pacífico ocorrem quando ela busca reduzir sua dependência da China e aumentar sua presença na região. O programa Global Gateway da UE é visto como uma alternativa à Iniciativa do Cinturão e Rota da China, com a UE buscando desenvolver projetos de infraestrutura duradouros que não criem dependência.


