Gana deu um passo significativo na luta contra a malária ao aprovar uma nova vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford. A vacina, conhecida como R21, foi aprovada domesticamente para crianças com idade entre 5 e 36 meses, que correm o maior risco de morte pela doença. Essa aprovação é incomum, pois ocorre antes da publicação dos dados do estudo em estágio final. A vacina ainda não foi lançada em Gana, pois outros órgãos reguladores, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS), ainda estão avaliando sua segurança e eficácia.
A malária é uma doença transmitida por mosquitos que mata mais de 600.000 pessoas a cada ano, sendo a maioria das mortes de crianças na África. As vacinas para a malária levaram décadas para serem desenvolvidas devido à complicada estrutura e ciclo de vida do parasita da malária. A injeção de Oxford é a segunda nos últimos anos a ser aprovada para uso, sendo a primeira a Mosquirix, da farmacêutica britânica GSK. No entanto, a falta de financiamento e potencial comercial limitou a capacidade da GSK de produzir quantas doses forem necessárias, demonstrando a necessidade de outro candidato a vacina.
A Universidade de Oxford tem um acordo com o Serum Institute of India para produzir até 200 milhões de doses da vacina R21 anualmente. Este é um desenvolvimento significativo, pois é a primeira vez que uma vacina importante foi aprovada em um país africano antes das nações ricas, de acordo com o cientista de Oxford Adrian Hill. Aprovar uma vacina antes da publicação dos dados dos testes em estágio final também é raro, disseram especialistas à Reuters.
Gana usa financiamento da Gavi, a aliança de vacinas, para suas campanhas de vacinas, embora esteja caminhando para comprar suas próprias vacinas após o crescimento econômico nos últimos anos. O Dr. Derrick Sim, diretor-gerente de mercados de vacinas da Gavi, disse que a organização está pronta para fornecer financiamento para o R21 se a OMS apoiá-lo. Ele enfatizou que é crucial manter o custo da vacina abaixo de US$ 3, conforme indicou a Serum.
O ensaio clínico de fase III em andamento da vacina R21 envolve 4.800 crianças em Burkina Faso, Quênia, Mali e Tanzânia. Os dados deste estudo devem ser publicados nos próximos meses. Os dados intermediários do estudo, envolvendo mais de 400 crianças pequenas, foram publicados em setembro, mostrando a eficácia da vacina entre 70-80% 12 meses após a quarta dose. Hill disse que os dados sugerem um desempenho semelhante ao do teste de fase II e foram compartilhados com as autoridades reguladoras nos últimos seis meses.
Em conclusão, a aprovação da vacina R21 pelo Gana é um passo significativo na luta contra a malária. A vacina tem o potencial de salvar centenas de milhares de vidas, especialmente de crianças na África. A aprovação da vacina antes das nações ricas e antes da publicação dos dados do estágio final do teste é uma prova da postura proativa dos reguladores africanos.


